Início Geral ”Tudo como Está” – O namoro entre Temer e Bolsonaro

”Tudo como Está” – O namoro entre Temer e Bolsonaro

Michel Temer passará a faixa presidencial a Jair Bolsonaro daqui a algumas semanas e então terá de encarar dois processos criminais na Justiça, um por corrupção, outro por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, ambos nascidos de delações friboianas.

Diante desses rolos, a aposentadoria promete ser inglória para o mais impopular mandatário da história nacional. Em Brasília, há quem se pergunte se já haveria em alguma gaveta por aí um pedido de prisão preventiva de Temer a partir de janeiro. Mas, e se ele de algum modo puder contar com o futuro governo para salvar-se da forca?

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Disposição para colaborar com o bolsonarismo Temer tem, como vários dos grupos apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff que acabam de fracassar nas urnas, PSDB à frente, também têm. E, no caso de Temer, a reciprocidade está no ar.

Na última semana ex-capitão reuniu-se no Palácio do Planalto com o presidente em fim de mandato. Em seguida, deu uma declaração enigmática ao lado de Temer. “Se preciso for, a partir do ano que vem, voltaremos a pedir que ele nos atenda. Porque tem muita coisa que continuará. O Brasil não pode se furtar do conhecimento daqueles que passaram pela Presidência, que será útil a todos nós.”

Será que Bolsonaro cogita ter Temer por perto? Seria um bom negócio para ambos. O atual governo bota seus aliados para aprovarem ainda este ano algo da reforma da Previdência, desejo do anunciado ministro bolsonarista da Economia, Paulo Guedes, que pede uma “prensa” no Congresso. Em troca, Temer contaria a partir de janeiro com, digamos, boa vontade governamental, quem sabe um foro privilegiado, para encarar a Justiça.

AO MODO DE CUNHA

No fim de 2017, o general dizia que o presidente só tinha escapado de ser afastado e processado no escândalo JBS/Friboi graças a um “balcão de negócios” no Congresso. Em fevereiro, defendeu que o Judiciário deveria “expurgar da vida pública” certos políticos, Temer incluído.

Bolsonaro e equipe dão sinais que sugerem que o ex-capitão irá valer-se de uns métodos cunhistas para montar a base governista na Câmara. O núcleo de apoio ao ex-capitão na Câmara é a Bancada do Boi, da Bala e da Bíblia, uma obra de Cunha.

A chamada bancada BBB saiu forte das urnas este ano, mesmo diante da renovação de 52% dos deputados na eleição.

Bolsonaro e Cunha têm afinidades. No comando da Câmara, entre fevereiro de 2015 e maio de 2016, Cunha forçou a mão para levar adiante a redução da maioridade penal e o fim do estatuto do desarmamento, duas ideias caras ao bolsonarismo.

Cunhismos e temerismos à parte, no dia da conversa entre Temer e Bolsonaro o MDB aprovou um documento interno facilitador do colaboracionismo com o presidente eleito. Intitula-se “O Caminho do Futuro”, uma espécie de versão atualizada daquela papelada que desde o início norteou o governo Temer e deu-lhe feições neoliberais, a “Ponte para o Futuro”.

Aderir ao bolsonarismo, como fazem Temer e o PSDB que não fica em cima do muro, foi o jeito que a turma do impeachment derrotada nas urnas achou para se reinventar e permanecer no poder.

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