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Brasil não pode sucumbir à pressão de jogar em casa na Copa América

Com a Copa América no horizonte, a seleção brasileira tem nova chance de reconquistar corações partidos nas últimas edições da competição. O título não é conquistado pelo Brasil desde 2007. E na última vez que a competição passou pelo país, em 1989, a Seleção também se sagrou campeã.

Entretanto, o prospecto de jogar em casa não é mais aquele das décadas passadas onde o Brasil tinha atrás de si um grande apoio das massas que permeavam os estádios de futebol país afora para acompanhar a Seleção de norte a sul. A identificação entre a Seleção e o torcedor brasileiro tem sido perdida ano após ano, e ela só piora com a seca de títulos do país.

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Pelo menos, já demos sinais de superação depois do desastre da Copa do Mundo de 2014. Ali, naquela fatídica semifinal contra a Alemanha, tivemos quiçá o ápice do desgaste entre a seleção brasileira e seus apoiadores, com a derrota acachapante perante a eventual tetracampeã mundial descendo quadrado em 200 milhões de pessoas.

Desde então, vieram três chances de recuperação. Nas edições da Copa América em 2015 e 2016, seguiu-se a decepção com eliminações nas quartas de final e já na fase de grupos, respectivamente. E na Copa do Mundo de 2018, o promissor time de Tite não conseguiu atuar no nível mostrado em seus primeiros passos no trabalho como técnico da Seleção, com a derrota para Bélgica por 2 a 1 sendo quase tão amarga quanto o Mineiraço em 2014.

Mas o tempo passa, e o tempo também sara. A Copa América desse mês, onde o Brasil é colocado como favorito ao título com chances de 2.1 pelos prognósticos de futebol da Betfair, é a oportunidade da Seleção reconquistar o público brasileiro in loco.

Para isso, é necessário esquecer o que se passou em anos anteriores. Sob o comando de Dunga e até mesmo com Tite como técnico, a recepção do público ao futebol apresentado pelo time foi hostil ao ponto de gerar vaias nos estádios por onde o Brasil passou. Isso só facilita a escolha por excursões pelos mais diversos países em busca de torcedores mais favoráveis à causa – ainda que isso acabe também gerando um círculo vicioso onde o afastamento entre time e torcida fica cada vez maior.

Fonte: Unsplash

Talvez haveria mais empatia e conexão com a Seleção caso os jogadores que fazem parte dela hoje tivessem mais identificação com os times dos torcedores que usam seu suado dinheiro para comprar o bilhete de um jogo do Brasil. Não é de hoje o fenômeno de jogadores que mal se transformam em profissionais já partindo para terras estrangeiras, normalmente para a Europa, numa busca por fama e glória no curto prazo ao invés de tentarem conquistar algo mais duradouro no seu país de origem.

É desse background que vem a maior parte dos jogadores que hoje compõem o elenco escolhido por Tite. Raras são as exceções como o meio-campista Arthur, ex-Grêmio; e até mesmo Neymar, que ficou anos no Santos e conquistou diversos títulos pelo time antes de partir para a Europa.

Tudo isso pode ir por terra caso os jogadores mostrem garra e luta na busca pelo título da Copa América em casa. A pressão será grande, tanto interna quanto externamente. E é por isso que a resiliência mental será uma das grandes chaves do Brasil nessa competição. Além de planos táticos e excelência técnica, os jogadores deverão se blindar o máximo que podem e se focarem ao máximo em conquistar o título – e a confiança da torcida brasileira – em solo nacional.

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