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ARTIGO: A PAUTA DESSAS ELEIÇÕES

Vou por um textão aqui, mas espero que seja um dos últimos meus, porque estou ficando meio cansado. É que antes de parar eu preciso explicar os porquês das minhas posições politicas. Então vamos la.

A direita está defendendo a ideia de “estado minimo”.

Na comunidade acadêmica mundial (area da filosofia política e ciencia política das universidades do mundo afora) esse modelo de estado é defendido apenas por uma vertente radical minoritária. Quem conhece do assunto sabe que esse modelo de estado minimo não funciona.

O pensamento vigente na filosofia política e na ciencia política desde o Sec XVIII é que o estado minimo é bom no curto prazo, mas é desastroso em medio e longo prazo.

Agora eu vou explicar porque.

Quando voce diminui o estado (estado minimo) voce diminui as despesas em curto prazo, e tambem diminui os impostos, mas ao mesmo tempo você enfraquece o poder do estado intervir na economia e corrigir as distorções do mercado e da sociedade.

A consequência disso é que as grandes empresas, em especial as empresas estrangeiras que operam no Brasil, passam a ter maior liberdade para monopolizar o mercado e estrangular o consumidor, o trabalhador e o pequeno e medio empresario, assim como os pequenos e medios agricultores foram estrangulados (esses, coitados, foram exterminados faz tempo.. quem ganha dinheiro com agricultura no país, atualmente, sao as grandes empresas rurais, controladas por estrangeiros inclusive).

E não para por ai.

Quando o mercado fica livre (estado-mínimo), começam a aumentar os abusos nas relações de consumo e nas relações de trabalho.

Nas relações de consumo, acontece o que é chamado de “cartel” (combinação de preços pelas empresas: todo mundo pratica um determinado padrão de preços, ninguem compete com ninguem e todos saem ganhando).

Nas relações de trabalho, o mercado fica livre pra ditar as regras do jogo: qual vai ser o valor do salário, quais serão as condições de jornada de trabalho, e por ai vai..

O discurso da direita defendendo o “estado minimo” é sedutor, porque usa como argumento a diminuição dos impostos e a diminuição da corrupção (o estado fica “pequeno”, e, por isso, ficaria mais facil controlar a corrupção).

Acontece que esses argumentos não são verdadeiros.

Diminuir o estado significa diminuir a atuação do estado nas áreas e programas sociais (saude, educação e segurança) e privatizar as atividades estratégicas que hoje estão sob controle do estado: petroleo, energia eletrica, fabricacao de avioes, rodovias, aeroportos e portos maritimos.

Quando voce privatiza, essas atividades passam a ser de propriedade da iniciativa privada. O que acontece na pratica é que as grandes empresas estrangeiras passam a ser donas do nosso petroleo, da nossa energia eletrica, da nossa fabrica de avioes, das rodovias e dos nossos portos. E vão ditar as regras por aqui.

Gradativamente o Brasil vai voltando a ser uma colônia de exploração controlada pelo capital estrangeiro.

Veja voce que a nossa telefonia ja é de propriedade estrangeira (a empresa Telefonica é da Espanha, por exemplo).

Também a Shell esta comprando uma parte da Petrobras e a Boeing esta tentando comprar Embraer.

O nosso agronegócio hoje já está controlado por grupos econômicos compostos pela elite rural (os famosos “ruralistas”). A elite rural é financiada por capital estrangeiro, e o seu avô sitiante simplesmente não participa das decisões desses ruralistas de grande porte.

A mineração do país, que estava nas mãos do Eike Batista, tem capital estrangeiro por trás.

Você ja consegue antever o buraco que a gente está entrando ao comprar essa ideia de “Estado-mínimo” que a direita está propondo.

Quando é o governo que erra, você o substitui nas próximas eleições, até dar certo. Já quando uma atividade é privatizada, ela passa a ter dono, passa a ser propriedade privada e isso não tem mais volta: não há como expulsar uma empresa que é dona da atividade. Da pra entender a gravidade? Você vende uma parte do serviço público e coloca ele nas mãos da iniciativa privada sem que isso possa ser desfeito.

O pior de tudo isso é que o problema da corrupção não vai melhorar. Sabe porque?

Porque a maior parte da corrupção nao esta nas atividades que o poder executivo controla (hospitais, universidades publicas, energia, aeroportos, rodovias, portos, etc). O “grosso” da corrupção está no PODER LEGISLATIVO. Todo mundo sabe que o problema ta no planalto.

Acontece que o discurso da direita e do “estado minimo” não propoem a diminuição do PODER LEGISLATIVO do Estado. Ninguém vai diminuir o numero de deputados e senadores em Brasília.

Muito pelo contrário. Eles estão propondo diminuir o estado no âmbito do poder executivo, mais especificamente os serviços publicos e os programas sociais. O poder legislativo não vai sofrer qualquer alteração: o pessoal lá do congresso em Brasília vão continuar na boa.

Bacana não?

É tambem preciso explicar uma coisa que muita gente não sabe: SER DE ESQUERDA NÃO É SER NECESSARIAMENTE UM PETISTA.

A esquerda é uma IDEOLOGIA que prega que o estado deve ser responsável por promover a igualdade de acesso a saude, educação e segurança publica por todos os cidadãos.

O PT, por outro lado, nao é uma ideologia, mas sim um PARTIDO POLITICO que diz seguir a ideologia de esquerda. Apenas isso. O PT não é o único partido de esquerda. É apenas o mais conhecido.

Vale a pena deixar claro que é possivel ser “de esquerda” e nao ter partido nenhum (como é o meu caso, e tambem o de muita gente).

Por outro lado, ser “de direita” nao significa ser necessariamente do PSDB, justamente porque “direita” é uma ideologia e PSDB é um partido político. São coisas diferentes.

E agora eu já aproveito pra explicar o que é a ideologia de direita.

A “direita” é a ideologia que defende o “estado minimo”, a menor intervenção do estado na economia e a maior liberdade da iniciativa privada (por isso que eles usam o termo “liberalismo”).

Para a direita, o estado nao deve ser responsável pela saude, educacao ou segurança pública. Na visão de direita, essas funcoes devem ficar a cargo da iniciativa privada. A liberdade máxima do indivíduo é o que eles pregam, mas o que eles realmente querem é a liberdade especificamente da iniciativa privada (das empresas). O foco desse pessoal é a economia, o lucro.

Agora eu te pergunto: é adequado deixar nas mãos da iniciativa privada os assuntos estratégicos que atingem diretamente a vida do cidadão? (saúde e educação, petróleo, telefonia, rodovias, aeroportos e portos marítimos)

Sabendo que a logica do mercado e da iniciativa privada é a “lógica do lucro”, qual é a segurança que voce tem na condução das pesquisas científicas a respeito de temas como agrotóxicos, alimentos transgênicos e remedios, por exemplo?

Voce acha que esse tipo de pesquisa, conduzida pela iniciativa privada, será uma pesquisa neutra?

Não será mais provável que os resultados dessas pesquisas científicas tenderão a beneficiar mais os interesses econômicos da iniciativa privada, colocando em segundo plano a saúde do consumidor e o meio ambiente, por exemplo?

E o preço das coisas? Voce acha que a iniciativa privada, estando livre da intervenção do estado na economia, vai ficar concorrendo entre si? Não será mais provável que as empresas se juntem para “combinar” o preço das coisas, como de fato ja acontece?

Tudo isso sendo feito de uma forma irreversível. Você privatiza e aquilo passa a ter dono. Ai não adianta mais votar em outro governo, porque não é o Estado que comanda mais.

O que vc acha que vai acontecer?

Entao, perceba voce que o discurso da direita visa seduzir a classe media, com essa histórica de “menos estado, menos imposto, menos corrupção”, mas na verdade existe um interesse econômico por traz disso tudo: grupos econômicos, inclusive estrangeiros, querem se beneficiar com as privatizações do “Estado-minimo” e gradativamente monopolizar o mercado. Serão donos das atividades estratégicas do pais (petróleo, produção de aviões, portos, aeroportos, rodovias, portos, saúde, previdência)

Esse discurso da direita e do “estado mínimo” nao vai beneficiar a classe media.

Muito pelo contrário. O país vai sendo gradativamente vendido para as grandes empresas estrangeiras que vao monopolizar o mercado e esmagar o pequeno e medio empresário, o agricultor, a classe media, os trabalhadores e os consumidores.

Ai eu te pergunto: sera que o Bolsonaro é realmente um patriota?

Ou será que ele, justamente por não entender nada de economia (conforme ele mesmo admitiu), não estaria servindo de marionete para os interesses de grupos econômicos que estão presentes no país?

O que você acha mais provável estar acontecendo?

Entao, respondendo a pergunta, eu nao voto 17 e nem 13. Meu voto é do Ciro, e poderia ser também da Marina ou do Boulos, porque esses são os unicos que seguem uma linha ideologica (esquerda) que protege a autonomia e a soberania do nosso país, a classe media e os grupos mais vulneraveis (negros, mulheres, comunidade LGBT+ e ambientalistas).

O resto, são traidores da pátria, seja por completo desconhecimento do que fazem e defendem, ou por pura má-fé mesmo..

Veja então que problema é maior do que o racismo e o machismo do bozo.

O problema é que bozo, assim como o Alckmin, o Meireles e qualquer outro que seja da direita, estão iludindo a classe media, o pequeno e medio empresário, o “cidadão de bem”, e entregando o país para grupos econômicos que, assim que conseguirem monopolizar o mercado, vão massacrar as pequenas e medias empresas, o trabalhador, o consumidor, o estudante.

É isso que esta em pauta nessa eleição.

Gentilmente cedido por

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