Início Femme List Elke Maravilha se foi mas deixou um grande legado de ensinamento

Elke Maravilha se foi mas deixou um grande legado de ensinamento

Elke Grunnupp nasceu na Rússia, em 1945. Chegou ao Brasil ainda criança com os pais, para morar em Minas Gerais. Começou a trabalhar como modelo e manequim aos 24 anos. A carreira na televisão iniciou na “Discoteca do Chacrinha”. Depois fez novelas, filmes e peças.

Passou seis dias presa durante o regime militar por desacato, após rasgar um cartaz de procurado com a foto do filho da estilista Zuzu Angel, para quem desfilava.Foi também secretária, bibliotecária, bancária, professora e tradutora. Casou-se várias vezes, já disse ter feito aborto, foi rainha de associação de prostitutas no Rio, estrela do cinema e viveu a vida intensamente.

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Em entrevista ao G1, em junho de 2015, afirmou que ainda tinha muito o que fazer e muito o que aprender e respondeu de maneira brilhante uma das perguntas que muita gente tem medo de opinar:

O que tu pensa sobre a criminalização das drogas?

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Sinceramente, não sei qual é a solução. Agora uma coisa eu sei, as campanhas que se fazem são completamente equivocadas, as pessoas não divulgam que a droga é gostosa. Se tua vida for preenchida de certas coisas você não vai precisar da droga, ou você vai usar a droga para encontro ou para ritual. Entende? Cada droga preenche alguma coisa que você não tem. Por exemplo, maconha é relaxante.

Eu fumando maconha, já fumei muitas vezes, durmo, porque eu já sou relaxada, não é algo de que eu precise. A cocaína é uma droga de poder, dá a sensação de que você é poderosíssimo. Uma vez em Nova York eu estava numa festa, passou a bandeja, falei que não ia querer. Não, me disseram, cheira porque se não você vai ser execrada. Eu cheirei, meu amor, eu fiquei tão brilhante, tão poderosa que comecei a contar a história do Brasil de 22 de abril de 1500 até então, mil novecentos e oitenta e pouco, o pessoal parou de dançar pra ouvir a história do Brasil, e só tinha três brasileiros.

Eu não preciso dessa sensação de poder, mas tem gente que se sente uma merda tão grande, que precisa dessa sensação. É como botar o pau na mesa: eu sou mais do que você, então você vai ter que me engolir. E o que é o máximo hoje em dia, não é o poder? Então pra você tirar a cocaína de uma pessoa você tem que educa-la de um outro jeito, não dizer que o máximo é o poder. Eu também fumei crack, o crack é uma euforia, eu não preciso, mas criança de rua não precisa? Precisa, amor. Pra você tirar uma pessoa do crack, além do problema físico, você tem que dar uma coisa mais gostosa pra ela.

E outra coisa, droga não é pra fuga, é pra encontro. A minha geração tomou drogas pra autoconhecimento, agora eu não vejo mais gente tomando droga pra autoconhecimento, eu só vejo ou pra curtir, ou pra fugir.

O poder é a pior droga e ninguém persegue o poder. Quem matou mais, a cocaína ou Medellín? Foi Medellín, não é? O que você tem que fazer? Educar bem as crianças. Eu tive consciência plena, não fiz filho porque eu não sei educar uma criança, e porque não posso ter âncoras, filhos são âncoras. Inclusive fiz abortos. Sem a menor culpa, porque, puta que pariu, eu não saberia educar uma criança. Quando você fizer um filho você tem que estar consciente de que você está dando a vida e está dando a morte.”

 

 

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