Início Zona Sul Conheça a incrível (e quase desconhecida) história da “Munheca” de Fernandópolis

Conheça a incrível (e quase desconhecida) história da “Munheca” de Fernandópolis

Caro leitor, você certamente já disse, ou já ouviu alguma pessoa dizer alguma frase do tipo: “fica lá perto da munheca!”, ou “é na avenida da munheca”. Mas, de fato, você sabe qual é a história desta famosa… munheca?

Rodolfo Ricci, morador de Fernandópolis há várias décadas, usou de sua experiência e vocação para fazer consultas históricas para desvendar a história que há por trás daquele monumento. Recentemente, no último dia 22, finalizou um trabalho, escrito à mão, que fez de vontade própria, sobre a história da munheca. Ricci, inclusive, foi consultado por um aluno do curso de história da FEF. O mesmo fazia um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, sobre o monumento, e orientado pelo munícipe, teve 10 como nota final.

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Mas afinal, quando e porque existe a munheca? Para começar a história do monumento, antes é importante fazer uma breve análise do munícipio Fernandópolis, que engatinhava aos seus “20 e poucos” anos.

“Fernandópolis não era totalmente uma terra moça, mas uma cidade promissora e adolescente”, disse Ricci, afirmando que nesta época, entre as décadas de 60 e 70, a cidade se destacava em vários setores. Tais destaques eram boas escolas de datilografia, o inexistente número de crimes, duas emissoras de rádio, bons comandantes da polícia, tanto militar quanto civil, e alguns munícipes de grandes nomes, como Dr. Fernando Jacob e outros advogados, além de uma política considerada “ferrenha”, com a administração dos ex prefeitos Leonildo Alvizi e Percy Waldir Semeghini.

Dentre a boa convivência entre todo o munícipio, a proeminente religião católica predominava na cidade. Devido ao grande adepto de fiéis, a paróquia se viu na condição de convidar padres Assuncionistas (devotos de Nossa Senhora da Assunção) para visitar a cidade, e ao mesmo tempo promover a evangelização cristã das comunidades, visto que a cidade estava de certa forma, carente de encontros religiosos.

OS PADRES

A notícia da visita dos padres entusiasmou praticamente toda Fernandópolis. “Eram mais de dez padres”, afirmou Ricci. Todos foram muito bem recebidos pela população, que inclusive se encarregou de abrigar os líderes paroquiais em vossas residências. Alguns também ficaram alojados na máquina de café do então conhecido “Dr. Parmejane”. Segundo Ricci, “a chegada dos padres foi uma festa, com banda de música, autoridades e políticos presentes, convidados especiais das cidades vizinhas, etc.”.

O carisma e a docilidade nas palavras dos padres logo conquistaram praticamente todos. De casa em casa, as santidades passavam para pregar evangelização. Como forma de agradecimento, muitos “cafezinhos” e bolos eram oferecidos. Uma verdade chuva de gentilezas, “coisa que não se vê nos dias de hoje”, disse Rodolfo.

Uma das atrações paralelas às missões de evangelização eram as quermesses, com direito a leilão. A partir disso os padres tiveram uma ideia: premiar o bairro que organizasse a melhor quermesse. O prêmio: um cruzeiro de madeira no ponto mais alto do bairro ganhador. “O prêmio faria a população se lembrar do sacrifício do homem que transformou o mundo, Jesus Cristo, e desta histórica época de evangelização na cidade”.

Eram poucos bairros, e o mais populoso era a Brasilândia. De duas a três vezes por semana, foram organizadas grandes quermesses com entrega de brindes. A data da entrega do prêmio seria também a data de partida dos Assuncionistas. Resultado: o bairro que organizou a melhor quermesse na opinião dos padres, e que recebeu o prêmio, foi o então “bairro da estação”, surpreendendo vários moradores. “Mas não houve desentendimento entre os bairros”, afirmou Ricci.

O cruzeiro foi entregue e fincado onde permanece até hoje, na Avenida Expedicionários Brasileiros em cruzamento com a Avenida Américo Messias dos Santos. Com o monumento já colocado, foi celebrada uma missa de ação de graças. “Aquela missa foi um ato histórico de religiosidade”.

PORÉM…

A cruz, que estava fixada diretamente no chão, começou a sofrer com a agressividade dos cupins. Alguns moradores pediram ajuda do então prefeito, Percy Waldir Semeghini, para que algo fosse feito para não deixar o monumento ir ao chão. Tendo em vista o perigo iminente da maior representação de fé católica de toda região tombar, um especialista em artes com cimento foi contratado no ato do apelo popular. O especialista era Eugênio Miranda.

Como havia necessidade de serrar um pedaço da madeira, arquitetou-se algo que segurasse o restante do cruzeiro. Então foi feita uma mão de cimento para deixar a cruz ainda mais alta, e segura. A mão, logo foi apelidada: “munheca”, por ser um grandioso pulso erigindo um prêmio merecido.

“Tomara que esta figura perpetue e que todos os fernandopolenses cuidem deste bem”, clama Rodolfo Ricci. “Hoje vários dos assuncionistas se foram, assim como o ilustre Dr. Percy e Eugênio Miranda, mas estes deixaram um legado para a cidade”, finalizou o pesquisador, que pertence à Igreja Adventista, o que ratifica o fato de que não deve haver barreiras entre as religiões.

Esta é a história da famosa “munheca”, que ganhou este apelido sem maldade, e foi colocada onde está devido a trabalho e calor humano. “Só o amor constrói”.

Por: Vinicius Franco

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